Friday, October 27, 2006

LÍNGUA DE ÍNDIO

Boca de Luz... Esse é Cabeça Quebrada... Ele é filho de Pena Branca e de Nuvem Fofa... É seu sexto tempo Sol... Eu sou Unha de Águia, filha de Unhas de Tigre e Fumaça Cinzenta... Ele é meu irmão novo de tribo... Meu irmão primeiro, esse por família, se chama Urso Feroz, mas de feroz mesmo não tem nada... É muito bom conhecer outro parceiro de tribo como você, Boca de Luz, as distâncias entre nossas tribos são tão grandes, apesar de sermos do mesmo clã que fica difícil nos encontrarmos com freqüência... Meu pai??? Não, não está aqui no momento... Saiu numa caçada com outros guerreiros da tribo... Me falaram que eles devem voltar no final da lua grande... Sim... Se você quiser esperar... Lhe preparo um espaço em uma tendo... É muito urgente ou pode esperar??? Quem está no comando??? Eu, oras... Quem mais??? Afinal, minha mãe não está muito bem de saúde... Parece que há algum espírito malígno querendo morar nela... Mas ela está lutando bastante e sei que vai vencer o OBAH... Claro que deixaram uma mulher no comando... Não fazem isso em sua tribo??? Como não!? Aqui fazem smepre... Os chefes tendem a confiar mais nas mulheres do que em outros homens para cargos temporários.. Acho que por uma questão de segurança... Eu pelo menos não gostaria da posição de Chefe para sempre... E você??? A, você vai substituir o seu pai na chefia de sua tribo quando o grande Deus o chamar para para a terra alta do leve... Bom pra você... E quanto a tenda? Vai querer que eu prepare??? Espere só um pouquino, vou falar com o feiticeiro, ele que escolhe os locais de alocação para que não haja distúrbios naturais... Ele falou que por causa dos espíritos que estão rondando a tribo, é melhor você ficar em uma tenda já montada... Mas temos as tendas dos guerreiros que saíram para a caça... Pode escolher... Aquela??? Tudo bem, é a de guardar os objetos d meu pai, mas é muito aconchegante... Vou arrumá-la para você... Vai querer companhia para a noite, Boca de Luz??? Não??? Você não tem medo mesmo dos espíritos que nos rondam, hein??? Coragem... admiro isso em nossa tribo... Mais alguma coisa??? Afinal, o que você gostaria de falar com meu pai??? - É só com ele mesmo... Já que sua mãe está doente. Preciso de autorização... Bem, você está certo, qualquer tipo de autorização, só com o chefe da tribo... Mas se precisar de qualquer outra coisa, é só falar...

Friday, October 20, 2006

CANÇÃO

Canto para a chuva as mesmas palavras que sussurras aos meus ouvidos... Aquela mesma canção singela que nunca se negou a me embalar... E quando olhei para as nuvens que forravam o céu daquela doce tarde chuvosa de primavera, sabia que ainda ali, existias... E que melhor ainda... Que nunca deixarias de existir... Tomava minha mão com a sua, inefável... Segurava meus cabelos e os puxava, e assim, os fazia crescer... E eu, tentei não me negar a TI... Sopa quente de alma de(rre)tida, a escorrer por meu rosto, enfim... São os cabelos!!! Gritou outra pessoa... São só os cabelos!!! E eu perguntei, enfim, o que era aquilo... Vida real ou conto de fadas da Rapunzel... Todos riram... Menos eu... Mas ainda assim, eu sabia... Não era bem assim o fim(-de-semana)... Não bastava águas tremulas na piscina, nem águas lentas na torradeira... ISSO! Torradeira, sem eira nem beira... E VOCÊ... Ainda ali... Olhando sem parar... por mim... isso sim me impressionou... Foi aí, que eu finalmente caí... Em TI, em mim... É... percebi que o mundo é mais do que uma bola imensa azul, onde todos correm e por correrem todos para o mesmo lado, fazem o planeta girar... Puxei minha capa... Cor de vinho e não vermelha como a da Chapeuzinho... E coloquei meus cachos castanhos para dentro do capuz para que ninguém pudesse vê-los... Não me definam pelos meus cabelos... Cachos de ouro ou de cristal... Valioso sapatinho caminhando pelo lamaçal... Correndo e fugindo do coelho... Não mais a persegui-lo... Deixei de ser Alice em seu mundo fantástico... Sopa sinuosa em uma estrada de cogumelos deliciosos... HUM... E ainda assim, olhavas sim... Sedenta e cega... Volúvel e fraca... àgua salgada... Fada encantada... Vida e enfado sem fim... e ainda assim... olhas por mim... Um amor vazio... Um tempo frio... Um ogro verde... Sono eterno em espera... Ai, prícipes encantados foram todos mortos em batalha... E ainda assim, olhas por mim... Caverna escura... Anões na neve... Sereia bela... Cinderela... Clareira fraca... Músculo vesgo... Ladrão de corpos... E ainda assim... Olhas por mim... E a nuvem se foi... O sol brilhou... A sopa quente secou... Mas ainda assim... Tempo eterno, sem fim... Na estrada, lá ao fim... Ainda assim, olhas por mim...

Wednesday, October 18, 2006

CHUVA DE OUTONO

"Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo, tudo, tudo o que fizemos Nós ainda somos os mesmos e vivemos Nós ainda somos os mesmos e vivemos Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais" Belchior, Elis Regina -"Como Nossos Pais" E as espadas se cruzam sobre nossas cabeças, dragões, cavaleiros, longas tranças nas cabeças das damas e nas mãos dos bispos os brilhosos anéis a reluzirem as almas, ainda, sangrentas e doentes que tanto buscam um lugar para estar... Ai... Salvação alada, nas asas das fadas azuis e amarelas contra o sol de verão e de frio... Ai... Salvação real, nas marcas longínquas e próximas do dia-a-dia do mundo espiritual... Salvação normal... E onde estão as casas velhas e arredias, os montes e outeiros de outrora? Onde escavaremos nossos alicerces para que possamos caminhar sobre pontes mais firmes do que as nuvens celestiais? Onde estão as pedras firmes e a argila moldante nas mãos do oleiro? Onde caminharemos para ter onde chegar? Nesse caso, apenas, se quisermos chegar a algum lugar... Só não se deve esquecer, que se não quisermos, outros lugares podem se achegar a nós... Ai... Mundo feroz... Mas essa são as eternas perguntas... "Não há nada de novo/ Ainda somos iguais"... E os poetas cantam as mesmas canções... E os olhos enegrecidos pelo tempo e enrugados pelas lágrimas, ainda persistem em maldições alheias... Ai... Canta que encanta as fadas azuis e amarelas... E quem sabe um dia, se desfaça o encanto e novamente possamos enchergar através da névoa o Sol lumioso no céu azul paixão... É, daquela Verdadeira Paixão... A luz que brilha além da cruz que se carrega... Por isso, hoje grita-se aquelas outras palavras... "Então não me chame Não olhe pra trás" "Vem, chuva de outono..."

Monday, October 09, 2006

A FROG

*aos sapos tolos de minha vida e àqueles que nunca vão amadurecer... Sapinho... Verdinho como a folha do salgueiro... É, salgueiro chorão, de galhos curvados, lágrimas e folhas tocando o chão. Ó, sapinho, Solidão... Pula daqui pra lá sem parar... Come mosca, mas só porque não quer que os outros percebam O tamanho de sua desilusão. Fala-se que a necessidade faz o sapo pular... E quando não precisar mais sapinho??? E é preciso também lembrar Que na água consegue nadar. E muito bem por sinal... Ai, sapinho verdinho... Olha pra cima e vê o sol quente... Amarelo ouro a lhe tostar as costas. Sai do sol bichinho, você vai acabar com uma queimadura. Não há protetor solar pra sapinhos... Pobrezinhos... Não há escapatória para as moscas... Enfim... Come sapinho... (09/10/2006)